Min.Pastoral Feminino

 Cajado Pastoral

A IBPXV desde 06/2003 tem em seu colegiado pastoral o ministério feminino, de forma plena, consagrada e estatutária.

A partir da visão bíblica (vide texto abaixo) o Pr Ezequias - pastor Titular da igreja de 09/1997 a 06/2011, reconhecendo o chamado e a vocação da então Ministra Mabel Garcia (teóloga formada pela FTBSP) que na IBPXV atuou como ministra de Educação Cristã, Louvor e Adoração e Juventude, lconsagra-a como pastora auxiliar da igreja local em 06/2003.

O processo que leva a consagração da Pra Mabel foi didático, evolutivo e tranquilo na igreja local, após período de ensino bíblico, tanto em pregações de púlpito quanto em salas, ao convocar a assembleia local para a decisão, o pastor Ezequias viu a unidade da igreja sobre o tema, confirmando-se com quase 90% de aprovação.

Após aprovação da assembleia da igreja, a candidata Mabel Garcia foi examinad cerca de 4h em concílio teológico, sendo unanimente aprovada.

A IBPXV entende que os Dons Espirituais são dados/distribuidos pelo Deus Trino de forma como lhe agrada, considerando a necessidade e a vocação que o próprio Deus designa às suas igrejas. Assim sendo, a IBPXV nunca impos os seus ministérios a outras igrejas, sendo que, em nível de cooperação associativa e missionária, a inúmeras parcerias, mesmo com igrejas irmãs que não tenham a mesma visão ministerial.

Por isso, disponibilizo abaixo texto que escrevi sobre a temática, no livro: 500 Reforma Protestante, do meu amigo e também pastor, Dr. Carlos Antonio Carneiro Barbosa - https://www.editorareflexao.com.br/reforma-500-anos-revisitando-a-historia-impactos-sociais-politicos-e-culturais/p/664

 Que o texto sirva de inspiração a mulheres e homens vocacionados ao pastoreio e auxilie igrejas locais na confirguração de ministérios cada vez mais relevantes para o tempo presente.

 

Pastor Públio Azevedo

 

INTRODUÇÃO

Reler a questão feminista a partir do prisma da reforma, é como tornar viva a agua corrente de um rio que fora barrado. Liberar a barragem é permitir que o rio siga o seu curso natural, permitindo-o cumprir o seu papel de gerar vida e alegria por onde flui.

Pensar sobre a mulher a partir do evento da Reforma, de certa forma, é desfazer a barragem histórica do rio da humanidade, um rio repleto de oportunidades, pluracidade, criatividade e vida que de tempos em tempos é barrado.

A história que registra os grandes feitos e os fatos marcantes da humanidade destaca um volume maior para personagens e fatos que tem relevância menor para o dia-a-dia da imensa maioria das pessoas.

É obvio – e aqui reconhecido, que os feitos e conquistas de personagens como Moisés, Salomão, Sócrates, Alexandre o Grande, Genghis Khan, Napoleão, Hitler, Bill Gates, Steve Jobs, impactaram a humanidade em sua forma de vida, suas crenças, relações intra e interpessoais, comerciais, enfim, criaram novas correntes e novas concepções de mundo. E que, as invenções e construções desenvolvidas pelo ser humano, como os diversos meios de transporte, a Ida ao espaço, o pisar na lua, a Transiberiana¹, Canal da Macha², a Internet entre tantas outras. São feitos que dignificam a inteligência, empreendedorismo e competitividade, bem como, demonstram a evolução humana em diversas áreas, contudo, a vida humana é mais, muito mais do que seus feitos e suas realizações!

A vida humana é digna e relevante pelo simples fato de o Ser, muito antes do Descobrir, do Fazer, do Conquistar ou do Ter.

Mesmo antes de fazer e ou realizar qualquer coisa o ser humano é Imagem e Semelhança de Deus, e nenhum feito – por mais extraordinário que seja, dignifica o homem mais do que já o é.

A verdade é que a história é feita por mais personagens, muito mais do que as páginas registraram, sendo que os soldados dos grandes líderes supracitados, ou os trabalhadores dos grandes feitos ficam escondidos nas margens não escritas, não publicadas, não ilustradas ou catalogadas da verdadeira história da humanidade, não apenas nos palácios, nos grandes escritórios ou nos quarteis, a história humana é desenvolvida em quartos simples, cozinhas, quintais, salas, em meio a famílias, a pessoas indoutas, incultas, a história tem cores, sotaques, sons, aromas e sabores incontáveis.

A real história da humanidade contempla homens e mulheres de todos os povos, crianças e idosos de todas as idades e famosos e anônimos de todos os tempos.

Quantas vidas perdidas em nome do progresso? Quantos rios barrados ou seus cursos de vida e histórias alteradas? É possível interpretar o impacto? Não apenas no ecossistema – visão macro, mas, na família de alguns desalojados, de alguns que perderam seus filhos, seus irmãos, seus pais e suas mães? O que estas perdas geraram no desenvolvimento da história humana, da minha e da sua?

Não somos resultado apenas de personagens como Alexandre o Grande, nossa maneira de ser e pensar hoje foi influenciada pela vida daqueles que viveram antes de nós e que as páginas escritas ocultam, mas, suas histórias – mesmo que de forma inconsciente, foram registradas em nossas almas e compõe a nossa existência.

Sim, muitas páginas dedicam louvor e honra a poucos, e há um vazio, um silencio, uma neblina de obscuridade que não nos permite ver milhões, bilhões de anônimos que realizaram a história que nos permite ver o que vemos, e, sermos o que somos hoje enquanto humanidade.

Dentre estes muitos que foram deixados pelos autores, escritores, editores, músicos e poetas, as mulheres se destacam nesta ausência, inclusive na história eclesiástica e teológica.

Refletir sobre o papel, importância, espaço e oportunidades da mulher na família, educação, política e mercado de trabalho não é novidade! E, é o que se propõe a Sociologia entre outras ciências humanas, e o faz a partir de óticas distintas ao longo da história, contudo, cabe à Teologia, e de forma mais especifica à Teologia Bíblica e Histórica o refletir e o ressignificar o papel da mulher no contexto eclesiástico – de forma mais restrita, e na questão do Reino de Cristo – de forma mais abrangente.

E esta atitude revisionista é um dos estandartes da Reforma Protestante.

“ecclesia reformata et semper reformanda est³”

O sempre reformando é um indicativo da limitação no tempo da igreja histórica e da função ilimitada da Igreja atemporal vencedora de Jesus Cristo.

Para tranquilizar sua leitura e não gerar bloqueios iniciais desnecessários, já nesta introdução afirmo o crer na Inerência das Escritura e no Senhorio e dependência do Espírito Santo de Deus neste desenvolvimento da igreja, fato este citado por Augustus Nicodemos:

“É importante notar que o aforismo de Voetius não foi “ecclesia reformans”, que significaria que a Igreja se reforma a si mesma, mas “ecclesia reformanda”, que está na voz passiva e indica que o agente da reforma não é ela própria, mas sim o Espírito de Deus. E este certamente promove o crescimento e a compreensão das Escrituras a cada nova geração, sem com isso admitir que a verdade muda4” (grifo do autor)

 

Por isto neste artigo introdutório ao tema, faremos uma breve, todavia, concisa leitura do papel e da importância da liderança feminina à luz dos principais e distintivos pontos da reforma, as cinco Solas e a máxima do sempre reformando.

1.Sempre Reformando

Entender e aceitar este conflito é a porta de entrada exigível para o desenvolver de um caminho excelente, libertário e abençoador da mulher na igreja e na sociedade.

Assim como o imutável e o mutável de Parmênides e Heráclito só serão conciliados na visão Platônica dos 2 (dois) mundos5, lembrando que ao sair das sombras a luz incomoda e há necessidade de certo tempo para entendimento e compreensão da luz – do real e da verdade, pelo ex acorrentado; nos é possível hoje também sustentar a inerência bíblica, a imutabilidade da Palavra de Deus, a completude e exclusividade da obra de Cristo – todos itens que suportam a teologia da imutabilidade, com o desenvolvimento da igreja no tempo e no espaço – o sempre reformando da Reforma, que instiga à igreja histórica a se renovar.

Fica evidenciado que o sempre reformando não se refere à reparos, complementos ou adaptações da mensagem divina, nem mesmo um processo de aculturamento desta ao tempo e espaço, como se propõe na hermenêutica da trajetória, assim explicada e severamente criticado por Grudem (2009).

“A palavra hermenêutica significa justamente um método de interpretação da Bíblia (da palavra grega hermeneuo, interpretar, explicar). A frase “a hermeneutica da trajetória” significa um método de interpretação da bíblia no qual a autoridade final sobre nós não se encontra no que está escrito na Bíblia em si, mas posteriormente, no final de uma “trajetória”, ao longo da qual o Novo Testamento progrediu desde o tempo em que foi escrito6.

O olhar que se pretende dar ao ministério feminino não parte do tempo, da cultura, das questões sócio e políticas para as Sagradas Escrituras, antes, busca o mirante fixo, imutável, incontestável e principal de observação das escritura, a saber: A Graça Redentora de Deus em Jesus Cristo, o Senhor.

Tu és pura e imaculada, 
Cheia de graça e beleza; 
Tu és a flor minha amada, 
És a gentil camponesa(7)
 
Antonio Aleixo

O silencio e a ausência da mulher na história da igreja (em papeis relevantes, de liderança e expressão) não se dá pela ausência de fatos, mas, pela ausência de registros e mesmo de disposição em divulgá-los, e a visão marginal e distante que se tem da importância da mulher na sociedade em muito ocorre pela maneira que a cultura religiosa a apresenta. Ora santa, imaculada, venerada de um ideal inanalisável distante do mundo real, ora impura, profana e inspiração da promiscuidade no seio eclesiástico.

Lembremos do contexto da chamada “mulher adultera(8)” apresentada pela liderança judaica – homens, à Jesus, onde no contexto Vetero Testamentário refere-se a um pecado necessariamente cometido presencialmente e por um homem e uma mulher, todavia, apenas a mulher é trazida, apresentada e acusada, como se o mesmo peso não fosse dado a este homem, ocultado, escondido e preservado pelos líderes judeus.

Condicionar a mulher como agente ativa e culpada pelos pecados dos homens, ao ponto de até inocentá-los – em especial a pecados relacionados ao sexo, e apresentado por alguns com termo de Síndrome(9) de Eva.

Por estas e outras questões se faz necessário revisitar a criação da humanidade buscando compreender a Completude e Pluracidade do Ser Humano a partir não de seus feitos e ou realizações, muito menos do tempo, espaço e cultura, contudo, a partir da imagem e semelhança do Deus Eterno Criador.

 

Considerações Sempre Reformando

Para atingirmos este objetivo, até por uma questão de hierarquia cronológica é imprescindível entendermos a questão do “ser” humano em primeiro lugar – antes de se ser mulher ou homem (Sexo e Gênero) ou mesmo antes de ser Ministerial (antes no tempo, pois cremos na presciência do Deus Eterno) é necessário lembrar que a mulher é “Ser humano” tal qual o homem, e o homem é ser humano tal qual a mulher, e que há uma excelência natural, uma dignidade e grandeza dada pelo Criador que antecede toda existência. É necessário voltar às Escrituras e tão somente as Escrituras.

O Sola Scriptura proposto por Lutero diz respeito a ter a Bíblia Sagrada como única fonte e direcionamento não apenas da Fé humana, mas, dá própria vida humana em todos os seus relacionamentos e realizações.

Não mais a tradição da igreja, não mais um poder humano temporal, não mais uma mediação centralizada, não mais uma interpretação restrita a um grupo específico e especial – certo legado do gnosticismo adotado pelo clero romano, não mais restrição ao texto sagrado, não mais a fala de homens em nome de Deus, todavia, rompendo-se o dique permita-se que a água flua, encha rios, atravessem vales, produza vida e vida abundante a todo que beber da água que jorra direto da fonte.

 

2.Sola Scriptura

O relato bíblico da criação deve ser lido a partir da perspectiva literária hebraica (10) e não pela cultural – inclusive não pela cultural judaica, como tradicionalmente é feito, assim temos:

Genesis capitulo 1 – narrativa geral – O que foi criado: Humanidade

3 fases literalmente construídas de modo a repetir a mesma ideia, considerando, porem, 3 fatos:

  1. a)Deus – como agente criador;
  2. b)Ser Humano – como ser criado;
  3. c)Qualificação da criação – Imagem e Semelhança do Criador

A primeira fase se dedica a indicar e qualificar o Deus como Soberano Criador, e a Segunda fase a ênfase na condição desta criatura – “imagem e semelhança”:

      2.1 – ‘אדם ’adam aw-dawm’– ser humano, espécie, humanidade (designação da espécie humana), humanidade (sentido intencionado com muita frequência no AT), Adão, o primeiro homem e ainda cidade no vale do Jordão

Na terceira fase temos a definição a partir de um ser holístico, único, completo, irreparável, dotado de características igualitárias e distintivas entre macho e fêmea.

            2.2 – ‘זכר zakar - macho (referindo-se a seres humanos e animais) adj. homem, macho (referindo-se a seres humanos), - Macho

            2.3 – ‘נקבה n ̂eqebah - Fêmea, mulher, menina, animal fêmea.

 

É importante lembrar que há diferença entre “Adam” e “zacar”, onde Adam é muitas vezes usada para definir “Humanidade” ou “homem genérico”, e, como fica claro no uso de Adam - neste caso; houve a criação da humanidade (somatória de zacar + naquebah) a imagem e semelhança do Deus Eterno. Depois a separação entre Zacar e Naquebah.

Esta narrativa da criação – não detalhada, já nos dá a indicação objetiva por parte do Criador, de um formato desejado para a humanidade, de maneira muito resumida, porém clara, pode-se perceber que o formato desejado pelo Eterno é de um ser:

a)Heterossexual;

b)Monogâmico;

c)Plural;

d)Não distintivo – enquanto essência do ser

O ser humano completo (Adam) macho mais fêmea (Zacar e Naquebah) ambos criados pelo mesmo Deus, no mesmo dia, dentro do mesmo ciclo de importância, com a mesma máxima e prerrogativa de essência: “Imagem e Semelhança de Deus”.

É neste formato e nesta essência que há honra, grandeza, excelência, dignidade e indistintividade do ser criado, e assim, manifestado na existência no tempo e espaço, e como afirma o apostolo Paulo a respeito da fé redentora em Cristo:

Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. Gálatas 3.28

Ainda vale a ressalva neo testamentária citada por Jesus aos saduceus sobre questões da eternidade, ou seja, sobre o retorno a essência pós existência no corpo pecaminoso, o nosso Mestre declara que: “nos céus não há sexualidade[11]” (diferença de gênero) pois seremos como anjos, na criação – para o Criador, não há diferença na essência ou na existência de ‘adam’. Não no que se refere ao relacionamento do Eterno com sua criatura.

E ainda:

Considerando que ‘adam’ está relacionado a Raça Humana (e não ao macho – pois este está claramente denominado em zacar), nos permite inferir que: a sequencia do texto sugere domínio da “humanidade” sobre a demais obra da criação, e não exclusivamente do Macho – zacar!

O Deus que cria a humanidade em igualdade de excelência – Imagem e Semelhança d’Ele mesmo, capacita o ser humano ao domínio do restante da criação.

 

2.4 - Genesis capitulo 2 – narrativa detalhada – Como foi criado – De forma artesanal e em gênero.

No capitulo primeiro temos ‘o que’ e o ‘quem’ fez. Neste capitulo temos o detalhe do “como” Deus fez, a operacionalização da obra.

Deus – ainda, no 6º dia de sua obra – nada indica um hiato entre a vida do Macho e da Femea, um hiato ou diferenças no desenvolvimento do relacionamento entre o Criador com a criatura, etc. Pois ao final do capitulo 1, o próprio Deus declara que tudo era muito bom (12)  que se – assim não o fosse, se tornaria um problema teológico seríssimo para explicar o:

E disse o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele. Gênesis 2:18

Se assumirmos que a mulher está fora da narrativa de Genesis 1, teríamos que assumir ou redefinir as questões abaixo:

a)Houve 2 criações! (?)

b)A 1ª obra foi incompleta! (?)

c)Deus teria sido pego de surpresa com solidão do homem! (?)

d)Existem 2 mulheres! (?) Uma em Genesis 1.26 e 27 e outra em Genesis 2.21 a 23! (?)

e)Se sim para o item ‘d’ o que aconteceu com a 1ª mulher! (?)

E por aí vai ....

A boa hermenêutica bíblica nos aponta para explicação mais simples, e, a mais aceita refere-se a:

I – Uma única criação

II – Um único ser humano – feito a imagem e semelhança de Deus;

III – Uma única mulher criada dentro do planejamento primário e único do Deus Eterno;

IV – Vida humana completa, criada junta, com as mesmas prerrogativas, com o mesmo sacerdócio, enfim, o mesmo acesso irrestrito ao Deus criador.

 

Assim, entende-se que o Capitulo 2 é o detalhamento do que foi feito declarado no capitulo 1, ou seja, trata-se da mesma – e única, criação, o texto diz que o Eterno cria um ser do próprio ser humano para lhe ser:

2.5 - Auxiliadora – ‘עזר ̀ezer – ajuda, socorro, aquele que ajuda

 A palavra traduzida por “auxiliadora” na língua portuguesa pode dar sentido de “hierarquia” o que o texto Genesis 1 e 2 e seu contexto não sugerem! Esta questão – hierarquia, só surgirá após o pecado, no capitulo 3.

E ainda:

ezer” é um termo utilizado para se referir ao próprio Deus, com a qualidade de ajudador e socorro. Salmos 20.2/121,1-2/124.8

O meu socorro vem do SENHOR que fez o céu e a terra.

Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não tosquenejará

Salmos 121:2-3

Considerando a interpretação de Ezer dentro do contexto hebraico, seu uso dentro do contexto de Genesis 1 e 2, e ainda, analisando outras passagens pós esta análise, podemos gerar outras questões, a saber:

– Alguém que defende a hierarquia entre os gêneros, consegue argumentar uma hierarquia inferior ao Deus Ajudador?

- A mulher não aparece em Genesis (antes do pecado) como inferior ao homem, mas, como complemento a algo que faltava (13), é na somatória de Macho e Femea que o Eterno declara que: Tudo é muito bom!

 2.6 - O termo וּלְאָדָםkenegdo’ (neged) – traduzida por idônea, tem em seu significado principal o “estar adiante” – não abaixo ou inferior hierarquicamente.

Se a ideia de “kenegdo” é de um ser que lhe fosse idêntico, fica fácil de entender que a humanidade (Adam) é completa em Macho + Fêmea (‘zacar’ + ‘naquebah’) e que um estaria adiante do outro, completando o outro, fazendo de ambos a humanidade perfeita enaltecida pelo Eterno. O texto não sugere submissão hierárquica, mas, complementariedade!

Na sequência temos no “Numa Só Carne” a vida comum, intima e conjugal, relacional e colegiada da humanidade – até aqui representada e limitada a Adão e Eva.

Existe base bíblica para a Hierarquia ou Governança do Macho sobre a Fêmea?

Sim, contudo somente após o pecado! E aqui mais uma vez lembramos que a leitura não está sendo feita a partir das questões culturais, sócio e políticas, mas, pelo binóculo da graça.

O que nos permite entender que este não é (nunca foi) um projeto primário de Deus, mas, sim um reajuste previsto, Daquele que não apenas tem a presciência de todas as coisas, mas, age nas coisas para o bem. Deus não aceita, não se alegra, nem se molda diante do pecado humano, todavia, oferece caminhos para a sobrevivência humana com harmonia social mínima em meio as consequências de seus pecados.

Importante observar que esta ação misericordiosa previa do Eterno, que dá caminhos ao indivíduo e a sociedade ocorre vários outros itens do relacionamento humano que também desagradam ao Eterno, como exemplo podemos citar as leis que regulamentam o Divórcio, Guerras, Escravismo, regras acrescidas por conta do desvio do ser humano do ideal de perfeição estabelecido pelo Eterno.

E o que o Eterno Criador faz quando sua criação se desvia do ideal?

Deus corrige, disciplina, indica o caminho excelente de arrependimento e mudança.

Mas, e as consequências dos erros humanos?

O ser humano as sofrerá todas elas, porém, num ato de misericórdia o Deus Criador cria mecanismos, verdadeiros instrumentos de graça para que o homem sobreviva no seu mundo caído. Ou seja, Deus cria ou disponibiliza um formato de vida que regulamente e permita ao ser humano viver dentro do ‘novo’ mundo, agora, no contexto do pecado, todavia, numa perspectiva do Eterno de graça sempre direcionando-o para a perfeição.

Considerações para O Sola Scriptura

Existe um padrão de excelência na humanidade que igualha macho e fêmea não em suas obras ou realizações, mas, na criação. Diz respeito à soberania de quem criou e não nas características de quem foi criado.

Não há na narrativa da criação (geral ou detalhada) nada que indique hierarquia entre o macho e a fêmea.

Quando surge o termo governo / hierarquia entre o macho e a fêmea isto ocorre somente após o pecado e separação entre Deus e a humanidade (macho e fêmea):

E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará. Gênesis3:16

A pergunta a ser feita é: Se, considerarmos a hierarquia no contexto da “separação Deus e humanidade” como devemos tratar este assunto pós reconciliação em Cristo?

O Soli Deo Gloria dá um sentido e propósito de existência do ser humano que parte da sua essência divina e tão somente nela.

A reforma irá questionar o pensamento romanista onde creditava-se certa virtude de alguns homens – clero (14), diante de outros. Parte da humanidade era ‘mais digna’ do que outra, por questão de nascimento nobre, chamado vocacional ou sexo de nascimento.

Esta distinção trazia – e ainda o faz, honra e glória a homens e não ao Deus criador.

3.Soli Deo a Gloria

A inferiorização histórica, sócio, política e principalmente eclesiástica da mulher resulta em louvor a quem?

Dentro de um contexto específico de liturgia de culto, objetivando a distinção da mulher cristã, santificada, reconciliada e justificada em Cristo, da mulher grega religiosa (15), o apostolo Paulo declara:

O homem, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas, a mulher é a glória do homem.1 Coríntios 11:7

Crendo num Deus criador, perfeito, inteligente e completo o ato de desprezar o uso completo de algo criado para a Sua própria Glória, demonstra certo menosprezo para com a obra excelente do Deus Perfeito.

Sobre o desserviço e o desuso das bênçãos outorgadas pelo Eterno podemos lembrar do embate de Galileu Galilei – Sec. XVII com o famoso Teólogo romanista o Cardeal Roberto Belarmino e com Papa Urbano VIII, sobre a questão da razão.

Não me sinto obrigado a acreditar que o mesmo Deus que nos dotou de sentidos, razão e intelecto, pretenda que não os utilizemos

Considerando o que vimos no Sola Scriputra na relação do ser humano criado à imagem e semelhança do Deus Criador, e, em todas as possibilidades conferidas a partir desta, pode-se afirmar parafraseando a Galileu:

“Não me sinto obrigado a acreditar que o mesmo Deus que cria a mulher em excelência, dignidade e grandeza do homem, e a dotou das mesmas competências e necessidades relacionais para Consigo mesmo, pretenda que esta não as utilize na Sua Igreja.”

Há uma clara incoerência em aceitar uma mulher ministerialmente menor do que o homem. Há uma desonesta incoerência em querer separar o exercício ministerial pessoal livre – a mulher tem dons espirituais, do oficial eclesiástico – a mulher não pode ser consagrada e ordenada para desenvolver diante da congregação os mesmos dons que se aceitam na individualidade.

Sobre esta incoerente dualidade entre Dom e Ofício ministerial, e a ênfase dada mais ao título do que ao exercício do Dom, o Professor, Pastor e Hebraísta Luiz Sayão comenta:

O problema é que, hoje, ser pastor ou pastora virou coisa de título, cargo importante, função superior. Há uma luta por poder. Se deixássemos Atenas e Roma, e fôssemos para Belém, aí seria possível entender tudo […] Na verdade, isso vale para todos, conforme Efésios 5.21. Submissão é a essência de ser cristão. O caminho do ministério é para baixo, é uma descida, e não uma questão de subir, tornar-se importante. Pastores que amam a Jesus e a gloriosa salvação deveriam sonhar em entregar tudo que possuem (títulos, cargos, nome, posição, honra) aos pés do Senhor. (16) Segundo o apóstolo Paulo escreve aos filipenses a característica da submissão é a que nos aproxima mais do modelo do Mestre e Senhor Jesus, talvez o papel exigido das mulheres as coloque em melhor condição para o exercício inegável e inquestionável do dom, mesmo a despeito do não reconhecimento do título.

Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.
E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome …Filipenses 2:5-9 (grifo do autor)

Na sua humilhação Cristo não apenas foi exaltado, mas, exaltou e gerou Gloria ao Deus Eterno.

3.1 – A Completude e Pluracidade da Gloria

A glória do Deus Eterno é incomparável, ilimitada, imensurável e incompreensível a nós seres criados, e no mero intuito de explicá-la já a reduzimos!

Cônscio desta ação reducionista podemos nos abrir para o agir expansivo e gracioso do Eterno em nós, dentro do tempo, espaço e cultura. Caso contrário permaneceremos numa postura altiva, egoísta, autônoma e soberba de negar-lhe o que somente a Ele é devido.

É importante nos permitirmos o olhar da questão do Gênero– masculino e feminino, a partir da perspectiva bíblica da criação que objetiva o relacionamento entre o Deus Criador e sua Criatura, de maneira que apresente ao Criador – dentro do limite de compreensão da criatura, na sua Multiforme gerando Louvor e Gloria Àquele que é digno.

Na relação de Deus com a humanidade e os gêneros humanos a partir de Genesis 1 e 2 temos o “Ser Humano” (independente do sexo e do gênero) à imagem do Deus Eterno, e este ser humano na sua integralidade só pode ser compreendido a partir do próprio Deus, nunca a partir de si mesmo, de sua história, de sua cultura ou mesmo de sua prática de fé. A real compreensão só será alcançada na visão do alto, do total e não das partes.

 3.2 - PLURACIDADE

Deus no hebraico ELOHIM

EL – nome de Deus na cultura semítica – PODEROSO

Elohim é o plural de ELOAH – deuses, A ideia de pluralidade pode estar relacionada a:

Totalidade” – aqui importante lembrar que o Deus Eterno é o causador de todas as coisas, e ao mesmo tempo incausado.

Deus sendo completo, indivisível, compreendendo toda a magnitude, “exaltação” – tentativa de destacar mais, engrandecer a majestade do Eterno; Ato de Louvor e Glorificação as qualidades do SER único.

A pluralidade da essência do Deus Eterno demonstra sua completude na manifestação da sua existência. Um ser completo que de si próprio - por escolha própria; deriva parte de sua completude à sua criação, que de Si mesmo leva a imagem e semelhança e esta ação revela também parte da Sua pluracidade na Sua criação.

Esta pluralidade atua com dinâmica na individualidade do Deus Trino, permitindo a atuação conjunto (unitária) bem como a atuação individualizada e especificada do Deus Triúno. Na pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Importante atentar que:

A pluracidade do Deus Eterno não nega o papel, importância e especificidade de cada personagem da trindade.

A submissão e a economia da existência da trindade ocorre sem exclusão, negação ou diferenciação da essência, nem do ministério individual de cada pessoa da Trindade. Há um respeito e abertura de espaço e ainda louvor a ação do outro quanto especifico.

 "Quando vier o Conselheiro, que eu enviarei a vocês da parte do Pai, o Espírito da verdade que provém do Pai, ele testemunhará a meu respeito. João 15.26

Existe uma totalidade e ao mesmo tempo uma dinâmica de respeito e altruísmo à individualidade no Deus completo, que deve ser absorvida pela sua criação, que lhe leva a Imagem e Semelhança.

Demonstrar a partir da perspectiva do Deus Triúno sua completude, sua dinâmica e interação entre as pessoas da trindade, que os papeis e responsabilidades do Ser Humano, criado a Imagem e Semelhança do próprio Deus, podem ser iguais em essência (nas características comunicáveis) e importância, e atuarem de maneira unissa e ou separada sem negar sua especificidade, antes, valendo-se desta para atingir a completude que o Eterno propôs em sua obra criada e trazer a Glória – outrora perdida; a Si próprio.

Apesar do Deus Triúno ter escolhido o Filho como agente da Salvação, o Deus Pai e o Deus Espírito Santo também atuam neste projeto de maneira direta.

Apesar do Deus Triúno ter escolhido o Espírito como agente da Consolação, o Deus Pai e o Deus Filho também atuam neste projeto de maneira direta.

Apesar do Deus Triúno ter escolhido o homem como sacerdote principal (*), nada na criação aponta de maneira objetiva contra o exercício parceiro e continuo da mulher neste ministério

* veremos adiante que a escolha do Deus Eterno se dá como resposta a situação de pecado, e que no projeto de reconciliação em Cristo este fator secundário é desfeito.

 

Considerações para Soli Deo Gloria

Ao observarmos as características comunicáveis do Deus Eterno, único, porém, múltiplo e plural, e entendendo que, Ele mesmo decide nos dar algo de Si mesmo, de Sua essência, podemos considerar que a perfeição da criação expressa na fala do próprio criador: “... e viu Deus tudo que tinha feito, e eis que tudo era muito bom (17)” está na “adição” – homem e mulher. Tornando qualquer ação humana incompleta e imperfeita sem esta somatória – salvo casos específicos de exceção onde o próprio Deus separa – poucos, para a vida e ministério solitário (18).

Legar uma pessoa à solidão sem o devido Dom e ou Chamada para tal é tão excludente quanto legar a mulher a um papel menor no Corpo de Cristo – sua Igreja.

O papel da mulher na história eclesiástica tem sido atribuído pela leitura bíblica pelo prisma da tradição judaica, egípcia, grega, romana e da própria Igreja Romana, a Reforma nos leva de volta à Escritura a partir do prisma da Graça!

O Sola Gratia é o segundo pilar da Reforma, diretamente ligado ao Sola Scriptura permite o homem enxergar não mais um deus carrasco, distante e maldizente – este era o motivo principal de Lutero ter aceitado o hábito, ao contrário, permite o vê-lo em Amor e Misericórdia.

A questão que assolava o coração de Lutero estava relacionada ao como agradar a Deus se em tudo a Lei o condenava? Esta visão também suportava a venda das indulgencias, visto que se procurava mérito nas coisas, nas obras, para se justificar e se livrar da condenação.

Mas, Lutero entende que somente pela Graça – mérito do próprio Deus, o ser humano se aproxima e pode agradar ao Eterno Criador, não era por ser rico ou pobre, clérigo ou plebeu, douto ou inculto, homem ou mulher, somente pela Graça.

 

4.Sola Gratia

Apesar da revelação do Deus Eterno ser única e universal – mesmo tendo itens e caracteres específicos dentro desta completude, o ser humano a vem percebendo e a compreendendo dentro do tempo e da história, da sua própria história.

E o Deus Eterno por ato de misericórdia tem se “acomodado (19) à limitação do ser humano, e lhe dando a revelação conforme capacidade de absorção deste. Capacidade pessoal e social, esta acomodação é a manifestação amorosa, didática e delicada da sua graça.

Vale ressaltar que o tempo de aceitação ou cogitação de ministério pastoral feminino no universo eclesiástico não se deve a questões exegéticas, sócias, políticas ou culturais, mas, tão somente à questão da Graça, da ação de misericórdia do Deus Eterno à humanidade, principalmente para com as mulheres.

A não entrada deste ministério de forma oficial em tempos anteriores se deve única e exclusivamente à dureza de coração do ser humano – em especial dos homens, e não a uma resposta tardia do Eterno! Por isso a questão é teológica e não social, Bíblica e não Cultural, de Graça e não Acadêmica!

 

4.1 a Graça sendo compreendida entre O Antigo e o Nove Testamento.

Assim sendo, alguns itens que nos são claros no NT, mas, que não eram plenos no AT nos deixam a impressão que a permissão do Deus Eterno se dá pela necessidade de evolução, e do progresso do entendimento humano da Revelação Eterna.

Exemplos:

MONOGOMIA - Deus cria o SER HUMANO completo – (termo adam – humanidade), e o separa em 2 formatos (‘zacar’ + ‘naquebah’), onde a união destes manifesta a própria Perfeição, Imagem e Semelhança d’ELE mesmo.

Gn 1.26, este formato 1+1=1 é confirmado no NT I Tm 3.2 (20) / Tt 1.6 – plano perfeito do Deus Eterno, contudo, Deus “permite” o Se relacionar com seus servos que vivem num formato de poligamia- Ex: Abraão, Jacó, Davi, etc – Formato que não era o desejo e o plano do Deus Eterno.

Com a evolução e progresso do entendimento humano do plano perfeito de Deus, a monogamia deixa de ser uma opção e torna-se um mandamento no N.T. – neste período o homem já tinha competência adquirida pela história – dentro da ação de misericórdia de Deus, para entender.

 

4.2 - Revelação progressiva ou entendimento progressivo da revelação completa?

Vale a pena refletir sobre esta questão a revelação é progressiva ou o entendimento humano é que é progressivo?

Deus a partir da Eternidade já havia estabelecido todas as coisas em conformidade com o SEU agrado, contudo, o ser humano vai compreendendo dentro da sua limitação, do seu tempo e da sua história. E o Eterno assim o permite por Graça, Amor e Misericórdia. Vejamos:

 

4.3 - Itens que não agradam a deus,

São inúmeras as questões pessoais e sociais praticadas pelo ser humano desde a queda, desde o pecado que afastam, desagradam e desvirtuam a imagem e semelhança de Deus nos homens.

Tendo todo o conhecimento e agindo por amor o Eterno gera regras, regulamenta um procedimento ou mesmo orienta algo que Ele - Deus Eterno, não tem como plano principal, mas, o faz, pela simples compreensão – acomodação, Graça e misericórdia, da limitação do homem no tempo.

Deus através da sua graça e em misericórdia no tempo, pois sabe que o homem é pó (21), e reconhece que nossa  capacidade de compreender sua Grandeza é limitada (22), ELE, age no tempo conforme Ele mesmo nos prepara para tal.

Exemplos de itens regulamentados pelo Eterno que vão contra ao seu desejo eterno, pleno, agradável e alegre, mas, que permite ao homem finito, limitado e pecaminoso o viver e o conviver socialmente.

DIVORCIO

No plano perfeito Deus cria o homem para viver com sua mulher em harmonia e perfeição por toda sua vida,

Então o Senhor Deus declarou: "Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda".
Gênesis 2:18

Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne. Gênesis 2:24

Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe. Mateus 19:6

Contudo, pela dureza do coração, o Eterno antecipa a tragédia da família e dá instruções para que a mulher e o homem possam sobreviver às consequencias de suas escolhas pecaminosas, inclusive pós casamento.

Perguntaram eles: "Então, por que Moisés mandou dar uma certidão de divórcio à mulher e mandá-la embora? "
Jesus respondeu: "Moisés lhes permitiu divorciar-se de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio. Mateus 19:7,8

ESCRAVIDÃO

O Deus de amor cria o homem a sua imagem e semelhança, dota este de as capacidades para dominar os demais itens criados e viver em harmonia com seu semelhante, contudo, sabendo do intento mau do homem, cria regras para o tratamento mínimo dos escravos (mesmo não promovendo, nem se alegrando com a escravidão).

Inclusive para destacar que esta ação trágica da história humana não agrada ao Eterno, permite que o seu povo escolhido passa pela escravidão para assim não tratar os povos.

Muito tempo depois, morreu o rei do Egito. Os israelitas gemiam e clamavam debaixo da escravidão; e o seu clamor subiu até Deus. Êxodo 2:23

"Se você comprar um escravo hebreu, ele o servirá por seis anos. Mas no sétimo ano será liberto, sem precisar pagar nada.
Se chegou solteiro, solteiro receberá liberdade; mas se chegou casado, sua mulher irá com ele.
Se o seu senhor lhe tiver dado uma mulher, e esta lhe tiver dado filhos ou filhas, a mulher e os filhos pertencerão ao senhor; somente o homem sairá livre.
"Se, porém, o escravo declarar: ‘Eu amo o meu senhor, a minha mulher e os meus filhos, e não quero sair livre’,
o seu senhor o levará perante os juízes. Terá que levá-lo à porta ou à lateral da porta e furar a sua orelha. Assim, ele será seu escravo por toda a vida.
Êxodo 21:2-6;

O tratamento na escravidão deveria ser de tal forma de dignidade (o que sabemos que não ocorreu na história dos povos) que é possível perceber os laços familiares de alguns escravos que mesmo libertos não desejavam abandonar seus senhores por amor.

GUERRAS -

Assim como a escravidão as guerras fazem parte da constituição das sociedades, formação e emancipação de povos, definição e limitação de territórios, etc.

O Deus Eterno também prevendo estas ações estabelece regras para o seu povo.

Quando vocês avançarem para atacar uma cidade, enviem-lhe primeiro uma proposta de paz.
Se os seus habitantes aceitarem, e abrirem suas portas, serão seus escravos e se sujeitarão a trabalhos forçados.
Mas se eles recusarem a paz e entrarem em guerra contra vocês, sitiem a cidade. Deuteronômio 20:10-12

A maldade e a ganancia do ser humano sempre o levou a buscar felicidade, realização e satisfação nas conquistas, nas posses, no poder, Deus não aceita isto! E através do Filho indica um caminho excelente, todavia, dentro da história humana regulamenta procedimentos mínimos para a sobrevivência da humanidade em meio ao coração corrompido desta.

A ação de graça do Eterno não se dá apenas nas relações sociais, mas também, nas relações eclesiásticas, ministeriais, vejamos:

Exclusividade da salvação ao judeu

O retorno do relacionamento do Eterno com a coroa da sua criação se dá inicialmente com o povo Judeu, e durante todo o Antigo Testamento se apresenta com características de exclusividade.

 Agora, se me obedecerem fielmente e guardarem a minha aliança, vocês serão o meu tesouro pessoal dentre todas as nações. Embora toda a terra seja minha, vocês serão para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa’. Essas são as palavras que você dirá aos israelitas. Êxodo 19.5-6

E Jesus demonstra esta prioridade em seu ministério antes da nova aliança e do novo caminho aberto na cruz.

Ele respondeu: "Eu fui enviado apenas às ovelhas perdidas de Israel". Mateus 15.24

Considerações para Sola Gratia

A reforma nos faz saber que não há nada que façamos que nos torne merecedores do favor do Eterno – sua Salvação, Reconciliação, Adoção como filhos.

A leitura dos ministérios espirituais a partir desta verdade resgatada na Reforma, nos faz perceber que não há nenhum outro mérito humano a não ser a própria Imagem de Deus em nós que nos torne merecedor de carregarmos títulos ministeriais entre os homens, o que habilita o exercício do pastorado bíblico não é o ser homem ou mulher, ter esta ou aquela habilidade, possuir este ou aquele bem, mas, o nascer de novo em Cristo Jesus. E nisto se sustenta o Sola Fide.

 

5.Sola Fide

A questão de entendimento progressivo da revelação é utilizada para explicar termos dúbios ou conflitantes da pessoa ou de sentimentos do Deus Eterno– principalmente do Hebraico antigo, nestes casos conseguimos utilizar com clareza e certa facilidade uma lógica objetiva, considerando a Fé que temos no amor, na bondade e na perfeição do plano do Eterno para humanidade, observemos:

            a) O antropomorfismo como resposta conveniente; para:

O “arrependimento” de Deus –

E o SENHOR se arrependeu disso. Nem isso acontecerá, disse o Senhor DEUS. Amós 7:6

Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração. Gênesis 6:6

Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria? Números 23:19

Explica-se com simplicidade e se aceita com facilidade a atribuição de sentimento humano a uma ação de Deus.

Pois pela fé crê-se que o Eterno que conhece e domina o futuro não se arrepende. E isto é fato!

Aceitando-se que o homem finito não pode compreender o “todo” de Deus, considerando no contexto máximo das Sagradas Escrituras que Deus é onisciente e o seu ato diante do pecado do homem não é uma resposta de improviso.

E ainda, para fortalecer que o “arrependimento” do Deus Eterno, não é, o mesmo que o nosso, cita-se a dificuldade com o Hebraico Bíblico antigo, como uma língua distante, pequena, sem muito vocábulo, e morta. Etc. Pela Fé aceita-se com naturalidade a Graça do Deus em usar a Escritura de forma didática para revelar-se ao homem finito.

Por que não levar esta mesma linha de pensamento para o termo – Idônea ou Adjuntora? Utilizado para definir a mulher como companheira do homem? 

Olhando para o contexto de Genesis – antes do pecado, não havia hierarquia do homem no que se diz respeito ao relacionamento com o eterno (papel sacerdotal). (Sobre a questão pós pecado, vide comentário a frente, na visão NT).

E mais, considerando a narrativa do capitulo 2 como um detalhamento do ato de Deus na criação da “humanidade” temos:

E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas, da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Gênesis 2:16-17

Deus disse somente ao homem – macho, ou a Humanidade; homem + (mais) mulher?

Pois no capitulo 3 temos Eva sabendo do assunto “direto” do Deus Eterno.

Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? Gênesis 3:1

Quando Deus disse a Eva? Aqui é possível ‘inferir’ que a ordem do Eterno foi dada à humanidade – Adão e Eva, e não apenas, a Adão, a irrestribilidade do relacionamento de Deus com Eva fica mais uma evidente.

Deus trata Eva com o mesmo nível de intimidade, e lhe confere uma ordem com o mesmo nível de responsabilidade.

5.1 - Deus criou o homem e se arrependeu de tê-lo feito sozinho?

Adão foi colocado no jardim e viveu algum tempo sozinho, para que Deus percebesse que este era infeliz? Teria sido esta infelicidade do Macho uma surpresa ao Criador?

Quando o Eterno na viração do dia visita o Jardim se relacionava apenas com Adão? Quantos dias foram virados entre o processo de criação do macho e da fêmea?

Era Adão responsável em ‘retransmitir’ a Palavra de Deus a mulher?

Pela Fé, mas, também pela lógica da nossa Fé, que nos apresenta um Deus único, verdadeiro, onisciente, bondoso, entendemos que não!

O texto de Genesis 2 esta relatando de forma detalhada algo que aconteceu de maneira única!

Deus cria a Humanidade perfeita, e a separa em gêneros, mantendo a perfeição desta em sua vida unida – principalmente, mas não exclusivamente no casamento (23).

 

Considerações Sola Fide

Somente a fé, mas, em quê?

Aceitamos com muita facilidade que o DEUS ETERNO não muda, e conseguimos enxergar o progresso do entendimento humano para explicar a aparente contradição entre alguns itens, mas, travamos com outros, há grande incoerência nesta postura.

Por que não usar o mesmo ‘canon’ para medir a questão do Ministério Pastoral Feminino? Ou seja, a ausência objetiva de Mulheres pastoras no Texto Bíblico se dá por um ato “planejado” do Deus Eterno, dentro do tempo e espaço, ocorrendo agora em nossos dias, não por questões sociais, mas, por providencia divina!

Esta providencia se dá em ter a ciência e o domínio do que acontecerá, mas, permitir a sua execução conforme a necessidade e capacidade humana.

E ainda, esta providencia do Eterno ocorre por que em Cristo Jesus somos reconciliados com Deus, e conforme Paulo cita à igreja em Corinto, não somos mais reconhecidos como outrora, não temos mais a imputação do pecado e nos méritos de Cristo somos reconciliados com Deus.

De modo que, de agora em diante, a ninguém mais consideramos do ponto de vista humano. Ainda que antes tenhamos considerado a Cristo dessa forma, agora já não o consideramos assim.
Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!
Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, 2 Coríntios 5:16-18

Não mais o julgo do pecado, não mais a separação entre os povos, não mais intermediários no relacionamento com o Deus Criador, não mais hierarquia entre os seres criados a imagem e semelhança de Deus, agora Solus Christus.

 

6. Solus Christus

O apostolo Paulo é quem melhor expressa a novidade do ser e do estar em Cristo.

E mesmo sendo a base teórica de uma perspectiva teológica que nega o Ministério Oficial Feminino nas igrejas, ainda assim, será Paulo quem mais apoiará, valorizará, destacará e usará este ministério para Glorificar o Deus Eterno.

A escritura da lei utilizada no novo testamento sendo lida pelos judeus e pelas manifestações culturais da época mantiveram as mulheres longe do papel dado por Deus na criação e reconquistado por Jesus na cruz, mas, mesmo antes de estabelecer a nova aliança vemos na cronologia de Cristo a ação libertadora do Deus Eterno na vida das mulheres.

O fato inegável, incontestável e irrefutável é que: Não é a sociedade ou questões culturais, mas, o próprio Deus Eterno escolhe as mulheres primeiro para a realização da sua obra de salvação, talvez já anunciando uma nova fase da propagação do Reino entre os povos.

Maria (24)– recebe a revelação direta de Deus e não José.

Se houvesse uma hierarquia ministerial o fato deveria ser exatamente o oposto, Jesus declara que aquele que queira reinar deve servir, o que deseja ser o maior que seja menor, que o primeiro seja o último.

A questão da impossibilidade do exercício ministerial de uma mulher casada, em virtude do preceito bíblico da submissão ao marido – homem, é claramente resolvida em Maria.

Segundo Kari Torjesen Malcom ao questionar o anjo sobre a impossibilidade do milagre – por ser virgem, Maria demonstra disponibilidade para o novo e para a vontade de Deus, e a hierarquia correta que toda mulher deve se valer, a saber:

“Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra. Suas prioridades eram corretas: primeiro, como serva do Senhor e depois como noiva de José (25)”

Isabel – logo após Maria, foi a primeira a saber sobre a encarnação, às duas foi anunciado em primeira mão o cumprimento da promessa do Messias (26).

Maria de Betânia foi a primeira a entender que Jesus morreria (27), e tornou isto público ao ungi-lo para o sepultamento. Vale ressaltar que Pedro (28) pensou em impedir tal fato.

Mulher Samaritana (29) – na cronologia de João foi a primeira a chama-lo de Messias.

Marta também em João aparece como uma das primeiras a confessar Jesus como o Cristo que trará vida no último dia (30).

E se a nova aliança inicia-se a partir das mulheres o ápice de sua conclusão será presenciada e anunciada pelas mulheres.

Perto da cruz de Jesus estavam sua mãe, a irmã dela, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. João 19:25

No primeiro dia da semana, de manhã bem cedo, as mulheres tomaram as especiarias aromáticas que haviam preparado e foram ao sepulcro. Lucas 24:1

Jesus não apenas resgatou o valor da mulher diante do plano original da criação, sem impedimentos, sem hierarquias, mas, também a resgatou diante de si mesma, libertando-a do medo e da opressão imposta historicamente pelos homens, inclusive – ou principalmente?; pelos religiosos.

A mulher que não tinha acesso ao local da adoração, que não lhe era permitido ler a lei ou falar desta publicamente é quem anuncia primeiro a ressurreição, anuncia primeiro aos próprios discípulos.

Qual homem poderia quebrar tal julgo além de Cristo? Mesmo diante de toda a opressão religiosa e social o Apostolo Paulo compreende isto, e toma duas ações diante desta questão, a saber:

a)Assume o ministério feminino de forma clara e oficial, para as localidades que já estavam preparadas para tal.

b)Preserva as mulheres e atua na didática do entendimento progressivo da revelação completa de Deus, nas cidades que ainda não estavam preparadas.

Sim, o ministério feminino é secundário em relação à propagação da mensagem do Cristo Crucificado, assim como todo e qualquer ministério masculino, até mesmo à própria vida, por isso Paulo pode declarar: “não vivo mais eu, mas, Cristo vive em mim (31)”.

6.1 – Paulo e o Ministério Feminino – Incentivando, Apoiando e Valendo-se.

Sem dúvidas Paulo demonstra o discernimento e a adaptabilidade necessária para – sem comprometer o conteúdo da mensagem divina, fazer o que for necessário para anunciar a Cristo, agindo e usando o melhor do contexto, aceitando as limitações do tempo e das sociedades, privilegiando e dando a urgência necessária para mensagem da salvação.

- Circuncisão

Paulo já havia abandonado os costumes judaizantes como critérios de salvação, todavia, exige esta pratica em Timóteo (32) afim de facilitar a entrada do evangelho e preservar a vida de Timóteo, necessariamente nesta ordem.

- Direitos Civis

Paulo sendo cidadão romano (33) poderia evitar algumas de suas prisões e espancamentos públicos, todavia, entendendo que o seu sofrimento gerava Glórias a Deus, não o fazia.

- Direitos Religiosos

Paulo sendo benjamita e fariseu tinha certa proeminência diante de seus contemporâneos (34) como perseguidor dos da nova seita, facilmente alcançaria posição de destaque, influência e liderança, mas, escolhe ser servo.

- Cultura e Religiosidade Local

Ao contrário de muitos líderes religiosos, Paulo não se omitia dos locais e eventos religiosos (35), antes, usava-os a favor da sua pregação, bem como a poesia e literatura local (36).

Assim como Jesus Paulo destaca as mulheres em seu ministério, sabe como e quando coloca-las a frente, e quando e como preservá-las, citamos algumas:

Lídia – Paulo e Barnabé iniciam a história do cristianismo em solo europeu indo até um grupo de mulheres, Lídia aceita a mensagem, se batiza e enquanto os apóstolos estão presos surgem novos cristãos, seria através da liderança de Lídia (37)?

Evódia e Sintique – uma questão objetiva é o por quê Paulo enviaria uma mensagem de reconciliação para mulheres que não podiam se expressar publicamente? Seria sobre questões domesticas? Por que abalariam a igreja? Sobre tal tema Crisóstomo (38) entendia que se tratavam de questões de liderança, divergências ao cuidado espiritual da comunidade.

Damaris (39)– Estava em destaque entre as ‘muitas mulheres de elevada posição’ que conferiam o que Paulo ensina diante das sagradas escrituras. Estas mulheres da alta classe social compreenderam a mensagem por ensino dos maridos? E se eram solteiras e ou viúvas, quem as ensinou? Por que Paulo destaca Damaris?

Priscila (40) e Febe – Temos uma igreja sendo liderada por Priscila junto com Aquila, numa sociedade que não valorizava a mulher, e diante de uma comunidade que não reconheceria a liderança feminina não haveria ‘um por quê’ plausível para Paulo citar Priscila se esta não exercesse algum nível de influência na igreja que se reunia em sua casa. Mais uma vez recorremos a Crisóstomo que diz sobre ambas: “Eram mulheres nobres, que não foram impedidas de forma alguma por causa de seu sexo […] o que era de esperar, pois em Cristo Jesus não há homem nem mulher”.

 

6.2 – Paulo e o Ministério Feminino – Limitando, Cerceando, Protegendo.

Considerando que o centro e o objetivo de Paulo é tornar Cristo conhecido, e de todos os meios salvar alguns (41), quando Paulo percebe que a questão feminina em determinadas comunidades seria um fator de dificuldade para o evangelho, Paulo deixa este tema – e outros, como secundários, vejamos:

- Casamento

A tradição judaica indica que Paulo fora casado, respondendo questões da comunidade de Corinto ele assume que não tinha direcionamento objetivo sobre o tema da parte do Senhor Jesus (42), todavia, que sua postura de cristão maduro lhe conferia autoridade para orientar a Igreja, e assim, orienta a esta a imitar o seu modelo vigente, o celibatário.

- Escravidão

Ainda falando aos corintos temos Paulo regulamentando as relações sociais entre escravos e senhores agora irmãos em Cristo.

Porque o que é chamado pelo Senhor, sendo servo, é liberto do Senhor; e da mesma maneira também o que é chamado sendo livre, servo é de Cristo.
Irmãos, cada um fique diante de Deus no estado em que foi chamado.
1 Coríntios 7:22-24

- Falar ou Silenciar

Sem dúvida a orientação dada por Paulo às igrejas Gregas (Corinto e Éfeso) sobre a postura das mulheres no culto público contraria a sua pratica com as comunidades Europeias – Igreja em Roma, p.ex. Seguindo a sua ação em privilegiar a mensagem

A mulher deve aprender em silêncio, com toda a sujeição.
Não permito que a mulher ensine, nem que tenha autoridade sobre o homem. Esteja, porém, em silêncio. 1 Timóteo 2:11,12 (grifo do autor)

6.3 - A questão da “autoridade”

αυθεντευηo termo utilizado por Paulo não ocorre em nenhuma outra passagem do N.T., e estaria mais ligado a “influência” do que a autoridade. E escrevendo às comunidades cristãs em Éfeso e Corinto a influência que Paulo via entre as mulheres e não desejava na igreja de Cristo era a influência sexual. Lembrando que estas cidades eram centros de adoração e peregrinação as deusas Afrodite e Diana, deusas do amor, da fertilidade e da sensualidade, e ainda, que a posição de destaques que as mulheres tinham no culto ocorriam não pela fé ou dons espirituais.

Kroegers (43) defende que authentein seja traduzido por “envolver alguém na solicitação de relações sexuais ilícitas” em vez de usurpar autoridade, o que faz sentido diante das práticas sexuais culturais a alguns deuses babilônicos (44) e gregos que espantaram até o grande historiador Heródoto.

Paulo não menospreza os temas do casamento, escravidão e ministério feminino, não está criticando o casamento, - que Deus criou e abençoou, não está incentivando à escravidão ou ao conformismo diante deste – que Deus abomina, nem cerceando às mulheres ao exercício pleno de seus chamados – a quem Deus chamou, chama e envia.

Considerações Solus Christus

Basta uma leitura superficial do novo testamento para evidenciar que o tema graça e misericórdia do Eterno para com os homens pecadores, e uma nova vida de fé que gere amor e fraternidade entre homens direciona todo enredo e pensamento das narrativas registradas.

Somente Cristo em autoridade e poder, incluiria as mulheres no exercício pleno do Seu ministério.

Somente Cristo em amor e compreensão do tempo e da maldade do coração do homem, preservaria as mulheres do exercício oficial de seus respectivos ministérios para as localidades e tempos determinados.

Somente em Cristo é que o ser humano pecador pode ser regenerado ao seu estado primário de relacionamento com Deus, sem intermediários, sem restrições.

Onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo, e em todos. Colossenses 3:11

Somente em Cristo a diferença de status, força, e ministérios entre macho e fêmea é desfeita, somente em Cristo, somente em Cristo!

Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. Gálatas 3:28

7 – Considerações Finais

O tema Ministério Oficial Feminino pode e deve ser revisto à luz da Reforma, os pilares da Reforma que objetivaram aproximar o povo comum do Deus Santo, e apresentar o Deus amoroso e misericordioso no lugar do Deus Distante, Cruel e Raivoso ainda se fazem necessários.

É fato que muitos desconhecem e rejeitam ao Deus verdadeiro em virtude da representatividade exercida primeiro pelos judeus e depois pelos romanistas, muitas mulheres não conseguem se entregar a uma fé genuína quando Deus é personificado em uma figura masculina, a verdade é que associar o Deus Eterno, Amoroso e Criador ao homem histórico finito, cruel e destruidor é uma ofensa ao caráter do Pai Celeste e um ato reducionista.

A mente finita do homem ou da mulher não pode compreender o todo do Eterno, o tudo que Ele quer e pode ser diante da criação, todavia, se há alguma oportunidade de aumentar o que conhecemos da revelação, ocorrerá somente na unidade da perfeição, a saber na somatória do macho e da fêmea, da humanidade feita a imagem e semelhança do próprio Criador.

Este artigo introdutório apresentou valores do caráter relacional do Eterno com sua criação principalmente a partir das Sagradas Escrituras, propondo uma leitura pelo prisma da Fé, a partir do local da Graça e pelo testemunho revolucionário de Jesus Cristo.

Faltou-nos o tempo necessário para citar a extensa lista conhecida e acessível de mulheres cristãs que oficialmente exerceram o Dom do martírio, pelo qual os homens da época não assumiram seus lugares por estas não poderem falar publicamente de suas fés. Nomes como Tecla – fundadora de um centro de ensino, pregava e batizada até ser martirizada na Ásia Menor, a escrava Blandina entrega seu testemunho público passando pela grelha e pelas feras, a aristocrata Perpetua foi lançada as feras, Lúcia da Sicília noiva de um nobre, abre mão de seu casamento para manter seu ministério, é torturada, tem seus olhos vazados e por fim a fogueira.

Apenas algumas das milhares – por que não, milhões, de heroínas da fé que compuseram, abrilhantaram, sustentaram e propagaram a Cristo entre os povos, iniciaram e deram continuidades a inúmeras comunidades cristãs, além das incontáveis anônimas que dedicaram seus dons, talentos, intelectualidade e o próprio sangue para a propagação do evangelho de Cristo, o faremos em outra oportunidade.

Não sei se este artigo romperá a grande barragem que tem retido o rio da história eclesiástica das mulheres, mas, certo é que já há pequenas trincas e vazamentos, e a água já está fluindo e gerando vida também em nossa geração.



[1] Transiberiana: a mais longa ferrovia do mundo De 1891 a 1904, milhares de operários enfrentaram frio, fome e epidemias para criar a linha férrea que atravessa a Rússia, projeto faraônico que quase não chegou ao fim. A ferrovia mais longa do mundo – quase 10 mil quilômetros, um quarto da circunferência da Terra na altura do Equador.

[2] O Eurotúnel (em inglês: Channel Tunnel; em francês:Tunnel sous la Manche) é um túnel ferroviário de 50,5 quilômetros de extensão que liga Folkestone, Kent, no Reino Unido, com Coquelles, em Pas-de-Calais, perto de Calais, no norte da França, sob o Canal da Manchano Estreito de Dover.

[3] Frase tradicionalmente atribuida ao reformado holandês Gisbertus Voetius (1589-1676), à época do Sínodo de Dort (1618-1619)

[5] Platão adequa o pensamento antagônico destes dois pré-socráticos ao defender a imutabilidade no mundo perfeito e insensível, e a mutabilidade no mundo cópia e sensível em que o homem vive. O desejo de bondade, beleza, justiça e eternidade no mundo dos homens é real porém inatingível, provindo de um senso inato que este carrega do mundo insensível, imutável, perfeito, justo e eterno.

[6] GRUDEM, Wayne – O feminismo evangélico, São Paulo, Cultura Cristã, 2009.

[7] Poema: A Gentil Camponesa de António Fernandes Aleixo - 1899— 1949 foi um dos poetas populares algarvios, reconhecido por sua ironia e pela crítica social.

[8] Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todos e disseram a Jesus: "Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério. João 8:3,4

[9] Síndrome - (grego sundromê, -ês, reunião) substantivo feminino. 1. [Medicina]  Conjunto de sintomas que caracterizam uma doença. 2. Conjunto dos sinais e sintomas que caracterizam determinada condição ou situação.
"síndrome", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/s%C3%ADndrome [consultado em 15-05-2017].

[10] Jornal Batista - A_MulherNacriacao-OJB_11052014_19

[11] Mateus 22:30 - Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu.

[12] Gênesis 1:31- E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto

[13] Importante clarificar neste ponto que, a referência do autor ao “que faltava” não aponta para incompetência ou incompletude da obra, mas, ao tempo de execução, pois o próprio Deus dentro do mesmo dia primeiro declara: “não é bom que o homem esteja só” e ao término da sua obra, ainda no 6º dia, declara: E viu tudo quanto tinha feito, e eis que tudo era muito bom.

[14] Quando se estava na presença do papa e dos cardeais a reverência deveria ser tamanha, beirando as raias de adoração, onde se demonstraria uma total submissão a estes, e não ao Deus único e verdadeiro.

[15] O tema será explorado adiante, contudo, vale o destaque inicial do contexto sexual que se dava as sacerdotisas nos templos gregos.

[16] Artigo Resolvido: Nem pastores e nem pastoras! Pastor e pastora. Não publicado.

[17] Genesis 1.31

[18] I Co 7.7 - Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira e outro de outra.

[19] ACOMODAÇÃO – É o termo utilizado por Calvino para enaltecer a Grandeza do Deus que se anula – conforme - Filipenses 2.5-11 para resgatar e reconciliar o SER HUMANO

[20] 1 Timóteo 3:2- Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar.

[21] Salmos 103:10- Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos recompensou segundo as nossas iniquidades.

[22] João 16:12 - Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora.

[23] A declaração do: “Tudo é muito bom” esta logo após o conceito do casamento, contudo, na mesma lógica que o Eterno regulamenta, permite itens que não lhe agradam, mas, permitem ao ser humano pecador sobreviver em sociedade, a vida solitária pode assim também ser entendida.

[24] Lucas 1.25-33

[25] MALCON, Kari Torjesen, A Identidade feminina segundo Jesus. São Paulo, Editora Vida, 2003.

[26] Lucas 1.29-45

[27] João 12.1-8

[28] Mateus 16.19-25

[29] João 4.25-26

[30] João 11.27

[31] Gálatas 2.20

[32] Atos 16.1-4

[33] Atos 16.35-40

[34] Filipenses 3.4-8

[35] Atos 17.23

[36] Tito 1.12

[37] Atos 16.14-40

[38] “Pai” da igreja século IV d.c.

[39] Atos 17.11-12;34

[40] I Coríntios 16.19

[41] I Coríntios 9.22

[42] I Coríntios 7.1-10

[43] Ricard Koeger & Catherine Kroeger, apud Kari Torjesen Malcolm.

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